terça-feira, 25 de abril de 2017

Lendas do Metal: Electric Sun – Beyond the Astral Skies

 
Quando Uli Jon Roth deixou os Scorpions em 1978 ele fundou sua própria banda, o Electric Sun. De início era um trio, no melhor estilo Jimi Hendrix Experience, onde o guitarrista também fazia os vocais. Porém esse formato só durou nos dois primeiros discos, pois sua busca por uma sonoridade mais complexa e cada vez mais calcada na música erudita, refletiu no terceiro e ultimo álbum do Electric Sun, o Beyond the Astral Skies.
Lançado no ano de 1985 o disco traz muitas novidades do guitarrista alemão. A primeira delas é o uso da Sky Guitar. Neste álbum ela é usada pela primeira vez, ainda não sendo o modelo definitivo (como a Might Wing, por exemplo, que possui 7 cordas e 40 trastes), mas já seria a guitarra que se tornaria sua marca registrada, abandonando definitivamente a sua icônica Fender Stratocaster.
Outra grande mudança foi na sonoridade, lançando mão do power trio e reunindo um  pequena orquestra. Uli, que compôs todas as músicas do álbum, passa a dividir os vocais com Michael Flexig (Zeno), na grande maioria das músicas.
A primeira música do disco é The Night The Master Comes, com uma temática bastante espiritual. Ainda tendo um pouco da pegada hendrixiliana, bastante característica nos dois primeiros álbuns, porém com uma forte presença de corais no refrão e com a orquestra já demonstrando uma forte presença, como se preparasse os antigos fãs do maestro para a mudança que viria a seguir. What Is Love? segue o disco, já podendo ser notada a mudança da sonoridade de Uli, a músca traz Michael Flexig fazendo a voz principal, com um alcance vocal incrível, já característicos nos trabalhos que ele faz com Zeno. Também já se pode ouvir a forte presença da Sky Guitar de Uli, com um timbre perfeito e cada nota colocada no seu devido lugar. Nesse quesito a genialidade do alemão é incontestável.
Why? é a terceira faixa do álbum, música com uma letra muito forte, existencialista, onde se questiona o motivo da vida, do viver. O Porquê de termos uma passagem tão ínfima, transitória, nesse mundo, sem sabermos ao menos o real motivo de estarmos aqui. A música tem uma pegada de Bob Dylan, com grande força no refrão, um forte coral ecoa a pergunta “Por que  nós nascemos e temos que morrer? Por qual razão teria um espírito no céu? Por qual razão teria um céu?
I’ll be There é uma balada que lembra muito as que Uli fazia no Scorpions. Tem um dos solos mais belos de todo o disco, explorando toda extensão de sua Sky Guitar, terminando de forma apoteótica, demonstrando porque o alemão é uma das maiores
referências de Malmsteen. Em seguida vem a instrumental Return. Uma linda canção que nos traz muita paz, muita tranquilidade.
Icebreaker, a sexta música do álbum, é a música mais acelerada de todas. Uli divide o vocal com Flexig e trazendo um solo arrebatador. Em seguida vem a calmaria, I’m a River. É uma balada aos moldes de Bob Dylan. O solo desta música é algo fora do comum, lindo, rápido e preciso. Coisa que só o mestre Roth poderia fazer.
Angel of Peace é um hino à paz, ou melhor dizendo, à busca dela. Muito inspirada em Hendrix, uma das poucas músicas que Uli canta toda. É uma bela canção de esperança, de um dia em que iremos finalmente encontrar o Anjo da Paz.
Eleison e Son Of Sky finalizam o disco. A primeira é uma mini ópera composta totalmente em latim. Nesta música Uli já demonstra sua veia erudita, o que iria marcar seus trabalhos solos, inclusive vindo a escrever mais três concertos e um réquiem. Son Of Sky é o complemento e também o encerramento, não só desta opereta chamada Eleison, como de todo o álbum. É um encerramento apoteótico, uma verdadeira ode à esperança e à luz, trazidos com a chegada do “filho do céu”.
Beyond The Astral Skies marca o fim de uma era, de um Uli Jon Roth mais hendrixiliano para um mais erudito, mais “paganiniano”. Marca um crescimento musical enorme de Uli, como compositor. Com o advento da Sky Guitar, sua música alcançaria outros patamares. Uli Jon Roth sempre foi um guitarrista a frente de sua época, e trabalhos como este demonstra isso. Um verdadeiro gênio e poeta das seis (ou sete) cordas, responsável por uma verdadeira revolução na técnica da guitarra. Se hoje temos Malmsteen, Satriani e Steve Vai, devemos agradecer à este nobre senhor alemão.

Por Lúcio Amaral

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